Entrei no escritório do Scott, ele falava várias coisas, me
explicava o que deveria fazer, mas eu não prestei atenção em nada, fiquei
pensando onde estaria essa informação que Nick quer.
- Megan? – Scooter estalou os dedos, voltei de meus
pensamentos. – Eu sei que não nos conhecemos, mas eu preciso que converse
comigo, que desabafe. – Vai ficar esperando, coitado. – Eu, realmente, quero te
ajudar... Imagino como deve ter sido ruim perder seus pais.
- Está sendo difícil. – Disse e abaixei a cabeça.
- Eu te entendo. – Ele puxou uma cadeira para mim e sentou
em outra, revirei os olhos e o olhei. – Eu cuido do Justin desde seus sete
anos. Os pais dele foram viajar e ele não foi porque estava doente, e então...
O avião deles explodiu no ar... – Scooter abaixou a cabeça. Ai Meu Deus, eu não
sabia disso. – Justin me perguntava quando os pais dele voltariam e eu não
sabia o que responder... Eu fui o enrolando até seus doze anos, e quando eu
disse que eles haviam morrido, Justin se revoltou, ele começou a andar com
gangues e chegar bêbado em casa...
- E-e-eu não sabia... – Disse sem jeito e a dúvida se
Scooter é mesmo mau martelou em minha mente. – Sinto muito. – Ele enxugou uma
lágrima.
- Eu quero te ajudar, quero que venha conversar comigo
quando se sentir sozinha, se precisar de um abraço, de um colo para chorar, eu
estarei aqui. – Scott sorriu fraco.
- Obrigada. – Me senti na obrigação de abraça-lo, então eu
fiz.
[...]
Organizei várias pastas, arrumei as prateleiras, separei
papéis. Meu dia foi cansativo, mas de alguma forma, me senti mais segura com a
presença de Scooter. Isso é estranho, ter que enganar alguém que parece ser uma
boa pessoa, é muito estranho.
- Vamos para casa? – Scooter entrou na sala. – Preciso
buscar Justin. – Assenti e o acompanhei, entrei no carro do Scooter e coloquei
meus fones no ouvido, tentando evitar que ele converse comigo. Senti o carro
parar e olhei para a janela, Justin beijava a garota com cara de doente,
Scooter buzinou e Justin veio na direção no carro, ele abriu a minha porta.
- Megan? – Justin arregalou os olhos.
- Eu já saio. – Ia pegar minha bolsa, mas Justin já havia
entrado atrás.
- Não gosto dessa menina. – Scott disse com um tom de preocupação.
- Interessante, mas quem tem que gostar dela sou eu. –
Justin respondeu com ignorância, Scooter respirou fundo e deu partida com o
carro.
- Eu vou à casa do Chaz...
- Você não vai a lugar nenhum. – Scooter disse nervoso e
desceu do carro. – Você vai para o quarto, estudar.
- O que deu em você Scooter? – Justin parecia chocado.
- Eu cansei de te deixar fazer o que quer só porque seus
pais morreram. Eles não iriam se orgulhar disso, não iam se orgulhar da pessoa
que se tornou.. Vá para o quarto, agora! – Ele disse firme.
- Vai começar a agir como um homem sério só porque essa
garota está morando com a gente? Eu nem sei o motivo de você ter pego outro
órfão para criar. – Justin disse nervoso e entrou em casa, fiquei pensando no
que ele disse.
- Meg, me desculpe por isso... – Scooter disse constrangido,
assenti e entrei na casa, de cabeça abaixada. Não sou órfã, ou sou? Entrei no
meu quarto e ouvi um som vindo da sacada – Era uma sacada ligando todos os
quartos –, caminhei até ver Justin tocando violão.
- Droga. – Ele jogou o instrumento no chão ao errar uma
nota.
- O violão não tem culpa. – Disse e Justin me olhou
assustado.
- Meggy, me desculpe por dizer aquilo, eu... – Ele me
olhava, arrependido.
- Tudo bem. – Aproximei-me dele e sentei ao seu lado. –
Quando você me disse que entendia o que eu estava passando...
- Eu entendo. – Ele abaixou a cabeça.
- Eu sinto muito por isso. – Coloquei a mão em seu ombro e olhei
em seus olhos, Justin se aproximou e acariciou meu rosto, ele se aproximou, mas
se afastou rapidamente e virou de costas.
- Eu vou descansar um pouco. – Fui me afastando.
- Meggy. – Por que ele fica me chamando de Meggy? Meus pais
me chamam assim. – Você quer ir à praia?
- Eu não curto muito isso de sol, areia...
- Mas você esta morando na praia... – Justin franziu a
testa.
- Não por muito tempo. – Disse e ele ficou me olhando. – Não
que eu não esteja gostando... É que...
- Não precisa explicar, mas, fique à vontade se quiser
conversar...
- Por que trata o Scooter daquele jeito? – Perguntei rápido.
- Sei lá... – Justin abaixou a cabeça.
- JUSTIN! – Scooter apareceu na sacada. – Por que tem um
exame de gravidez no seu casaco? – Ele mostrava um papel.
- Você não pode mexer nas minhas coisas. – Justin pegou o
papel.
- Aquela garota está grávida? Você a engravidou?
- Sei lá... Aconteceu... – Justin olhava o papel.
- Você tem noção do que é criar uma criança? VOCÊ SÓ TEM
DEZESSETE ANOS! – Scott estava muito nervoso, fiquei assustada com sua reação,
será que ele vai revelar o cara ruim que existe dentro dele. O cara que Nick
disse que ele é.
- Eu posso fazer isso... – Justin parecia arrependido. – Se Melissa
pudesse vir morar aqui...
- Não. – Scott disse rapidamente. – Eu posso ajudar vocês a
comprar um apartamento, mas aqui não.
- Eu... Eu não quero morar com ela. – Justin disse e Scott o
olhou confuso. - Eu só...
- Se acalmem! – Disse por impulso. – Vão esfriar a cabeça e
depois vocês conversam.
- Saia daqui Meggy. – Justin disse, me olhando.
- PARE DE ME CHAMAR DE MEGGY. – Explodi e sai dali. Fechei a
porta da sacada e me agarrei ao travesseiro que me consolou noite passada.
- Megan. – Scooter já me chamava há uma hora, mas eu não
quero que me vejam assim, não quero dar explicações. Peguei meu celular e
liguei para o Nick.
“Megan?”
“Eu preciso sair daqui Nick, eu não conheço essas pessoas...
Eu só quero voltar para a minha casa.”
“Você disse que estava preparada.”
“Mas eu não estou, eu não sou Agente e não quero ser.” –
Estava aos prantos.
“Mas Meg...”
“Podemos nos encontrar? Eu preciso falar com alguém...”
“Tudo bem... Hoje à noite! Eu estarei na praia, me
encontre.” – Ele desligou a ligação.
- Megan, por favor... – Levantei e abri a porta, Justin que
estava ali.
- Scooter desistiu de chamar. – Ele sorriu fraco. – Eu
queria me desculpar...
- Não! Eu que não devia ter gritado... – Me senti envergonhada
pela forma como falei.
- Que tal você me contar o motivo dessas lágrimas? – Justin
enxugou meu rosto, fui me afastando e balancei os ombros, Justin entrou no
quarto, sentamos em minha cama.
- V-você vai mesmo ser pai? – Perguntei de repente e o
garoto assentiu cabisbaixo. – Não vai abandonar a garota, não é?
- Não. – Ele me olhou, ficamos nos olhando por um tempo.
- Por que chorava? – Justin quebrou o silencio.
- Você me chamou de Meggy, meus pais sempre me chamavam
assim. – Abaixei a cabeça.
- Me desculpe...
- Não, tudo bem. – Sorri lhe passando confiança. Ficamos
conversando por mais um tempo, até a namorada do Justin chegar.
Continua...
Sarah Gilbert Jeniffer Barbosa Karol Borges Sim gente *------* Guerra é Guerra é O Filme!!!! >> pra quem não assistiu, eu recomendo!
Marii seja bem vinda!
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