quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

"Falling" - Cap. 23




Acordei cedo e me arrumei, olhei no espelho e não me senti mal ao não ver meu cabelo ali, eu sorri e coloquei um par de brincos. Olhei para a janela e o céu estava radiante, completamente azul, sem nenhuma nuvem para contar história. Peguei meus exames antigos e deixei o quarto, Mitchell estava fechando a porta do quarto e me olhou.
- Justin está acordado? – Perguntei sorrindo
- Não, ele está dormindo como uma pedra. – Mitch riu.
- Então eu vou para o hospital e quando o Justin acordar você avisa que eu voltarei logo. – Disse e beijei a bochecha dele. – Até mais.
- Tchau gatinha. – Ele piscou, lembrei-me de quando nos beijamos e isso me deu repulsa porque agora o Mitchell é como um irmão para mim. Papai me levou ao hospital e foi trabalhar, encontrei Maisie na sala de espera, ela me abraçou forte.
- Está bem, querida? – Perguntou.
- Sim mãe, eu estou muito melhor. – Sorri e mostrei meu crachá para a moça da recepção. – Vou para a sala de exames, você vai ficar esperando aqui?
- Eu preciso encontrar um banco, só vim para ver como estava...
- Você sabia que Justin viria? – Perguntei feliz.
- Sim, mas os pais dele não deixaram.
- Eles não deixaram? – Franzi a testa.
- Não, Justin me pediu para ligar e dar notícias, aliás, eu havia me esquecido. – Ela começou a procurar o celular na bolsa.
- Mãe, ele está aqui, ele está na casa do meu pai. – Ela parou e me olhou. – Eu não acredito que ele fez isso.
- Filha, ele pode ter se metido em problemas, mas está aqui por você. – Mamãe sorria. – Não fique brava com ele. – Ela beijou minha bochecha e entrou no elevador que estava prestes a fechar. – Podemos almoçar juntas? – Assenti e acenei para ela até a porta do elevador se fechar.

[...]
Cheguei a casa do meu pai e não tinha ninguém no primeiro andar, subi a escada e estava tudo completamente silencioso. Fiquei parada por um tempo tentando imaginar onde estava todo mundo, meu pai foi trabalhar, a mulher dele deve estar no trabalho também, Mitchell deve ter saído com os amigos, mas e o Justin?
- TEM ALGUÉM AI? – Gritei com medo de procurar alguém por aquela casa silenciosa, ouvi alguns ruídos no quarto do Mitchell e Justin abriu a porta, ele estava colocando um dos sapatos e segurava o outro pelo cadarço com os dentes, ele saiu esbarrando nas coisas e caiu no chão, mas logo levantou e conseguiu colocar o sapato.
- EU ESTOU QUASE PRONTO, QUASE PRONTO, UM SEGUNDO! – Ele gritou desesperado e eu tentei controlar minha risada.
- Justin sua camisa está do avesso. – Disse, ele tirou a camisa e desvirou.
- Já podemos ir para o hospital. – Disse depois de colocar a camisa e o outro tênis, ele estava com olheiras gigantes e o cabelo bagunçado.
- Eu estou voltando de lá, está atrasado. – Aproximei-me e beijei sua bochecha. – Você deve estar cansado, não é? – Segurei seu rosto e fiz bico ao notar que ele ainda morria de sono.
- É o fuso horário. – Ele fechou os olhos e me abraçou. – Me desculpe por não ter acordado. – Justin olhou em meus olhos, enquanto ainda me abraçava. – Amanhã eu estarei menos cansado. – Ele me beijou.
- Nós precisamos conversar. – Disse e me afastei um pouco.
- Precisamos? Vish. – Justin fez careta e entrelaçou nossos dedos.
- Eu sei que você está aqui sem seus pais saberem. – Justin continuou me olhando, sem nenhuma reação. – Justin...
- Eu precisava te ver, eu fiz o que meu coração pediu. – Foi a única coisa que ele disse e foi impossível eu ficar brava com ele.
- Então, ligue e avise, eles podem estar preocupados.
- Meu pai nem deve lembrar que tem um filho. – Ele revirou os olhos e encarou a parede ao seu lado.
- Promete que vai avisar? – Fiz ele me olhar.
- Prometo. – Justin sorriu e me beijou. – Prometo mandona.
- Eu não sou mandona. – Disse ofendida.
- Ah, você é sim. – Nós começamos a rir, Justin puxou minha cintura e colou nossos corpos, me deu um beijo longo e de tirar o fôlego, o que não é difícil de tirar de alguém que está com câncer no pulmão.
- Uh. – Disse quando afastamos nossos lábios. – Uou. – Abanei minhas mãos, tentando afastar o calor. – Eu entendendo porque aquelas garotas ficavam dias chorando quando você não ligava de volta.
- Entende agora? – Justin piscou. – Eu sou inesquecível. – Ele se gabou.
- Começou. – Revirei os olhos e sai dali, Justin me seguiu escada abaixo. – Vamos almoçar com minha mãe hoje.
- Oh, sua mãe vai me matar. – Ele parou e ficou com os olhos arregalados.
- Ela ficou feliz porque você veio visitar a filha mais linda dela.
- Elizabeth, você é a única filha dela. – Justin disse com cara de deboche.
- Exatamente, porque ninguém poderia superar tanta beleza. – Disse como se fosse obvio e Justin riu, ele ficou me olhando, como fazia antes de ficarmos juntos. Comecei a rir e abaixei a cabeça.
- O que foi? – Justin sorriu para mim.
- Quem diria que nós iríamos estar assim um dia?
- Assim? – Justin franziu a testa.
- Justin eu te odiava, desprezava, tinha nojo de você. – Disse e ele ficou sério. – E quem diria que eu estaria um dia apaixonada por você?
- E olhe para mim, viajando escondido dos meus pais para ver se você está bem... Logo você Elizabeth, eu nem fazia ideia de quem você era. – Fiquei séria no começo, mas depois nós rimos.
- Será que isso vai durar? – Perguntei quando estávamos sérios.
- Eu não pretendo me apaixonar por mais ninguém, isso cansa. – Justin fez careta. – Por que está pensando tanto Lizzie?
- Não sei, eu só não quero que isso acabe. – Segurei o rosto do Justin, ele sorriu e depois me abraçou.
- Eu não vou deixar acabar. – Ele me beijou.
Continua...

Cauane Amarante não, sou fã da 5 seconds of summer e do shane harper também! Eu não devia ser fã de tanta coisa assim, mas eu não consigo não ser, eles são tão nhonho <3 haha E você é fã de alguém mais?

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quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

"Falling" - Cap. 22




Abri os olhos e Justin sorriu para mim, eu havia dormido em seu colo. Ele ainda estava com os olhos um pouco inchados por causa das lágrimas, segurei seu rosto e o beijei. Nos afastamos e ele ficou olhando em meus olhos.
- Estava te observando, enquanto dormia. – Ele disse e riu. – Lembrei-me da vez que subi até seu quarto e cai da árvore.
- Você ficou todo machucado. – Lembrei e também ri.
- Foi hilário. – Justin ficou sério e voltou a me fitar. – Como aconteceu? – Ele olhou para onde antes eu tinha cabelo.
- Ele caiu aos poucos e eu raspei hoje. – Disse cabisbaixa.
- Mas você sabe que continua linda, não sabe? – Justin acariciou meu rosto e sorriu.
- As pessoas dizem isso o tempo todo para me agradar, é um saco. – Revirei os olhos e fiz Justin rir.
- Chata. – Ele puxou minha cintura e beijou minha bochecha.
- Eu não vou cortar os pulsos porque estou sem cabelo. – Disse irritada.
- Nossa, rebelde. – Ele afinou a voz e zombou de mim, o fuzilei com os olhos, fiquei o olhando e vi que ele tinha alguns machucados no rosto.
- O que é isso? – Toquei em uma mancha perto de seu olho e ele se esquivou.
- Ainda dói. – Justin abaixou a cabeça.
- Justin? – Pareci uma mãe falando.
- Tive uma discussão com o Bill. – Ele estava com medo de falar porque sabia o que eu diria, soltei um suspiro e fiquei o olhando. – Ele queria dinheiro para pagar uma divida.
- Justin, ele é perigoso.
- Eu sei Lizzie, eu sei. – Justin cobriu o rosto com as mãos, abracei-o.
- Você sabe que não pode guardar isso para sempre, pense na família do Jeremy... – Eu sei como Justin se importa com o Bill, como ele tem medo de estragar a amizade que eles tem desde crianças, mas isso acabou no momento em que ele matou alguém e pediu para o Justin não contar a ninguém. Foi uma pessoa que perdeu a vida e eu me sinto horrível por saber sobre isso. – Justin, a verdade é que eu não consigo lembrar disso e não ter vontade de contar a alguém, isso é muito sério.
- Eu vou contar quando voltar para casa. – Parecia estar sendo difícil para ele dizer isso.
- Eu estou com você. – Fechei os olhos e aproximei nossos rostos.
- Justin, eu pensei bem e deixarei você ficar aqui. – Meu pai apareceu na sala e disse sério, ri da pose firme dele.
- Obrigado Senhor Bradshaw, eu não trouxe muito dinheiro para ficar hospedado em algum lugar. – Justin levantou e estendeu a mão, papai olhou e apertou-a.
- Isso é só porque você viajou de longe só para ver minha filha. – Papai ainda estava sério. – Mas não quero que vocês fiquem grudados o tempo todo. – Notei que ele apertava a mão do Justin.
- Obrigada pai. – Levantei e o abracei.
- Ok, agora você precisa ir dormir. – Ele disse e eu franzi a testa. – Amanhã terá um longo tratamento, você sabe que precisará estar descansada.
- Cinco minutos? – Pedi e ele me encarou. – Quatro?
- Três. – Ele virou-se e eu olhei Justin, que ria. Esperamos meu pai se afastar e nos beijamos, me senti confortável ao lembrar que amanhã ele estará aqui comigo.
- Eu posso ir ao hospital amanhã? – Justin disse arrumando minha a gola da minha camisa.
- Sim, mas é bem cedo. – Avisei.
- Eu estarei ao seu lado quando você acordar. – Ele piscou e me beijou.
- JÁ SE PASSARAM TRÊS MINUTOS! – Meu pai gritou de algum lugar e nos afastamos, segurei a mão do Justin e fomos para os devidos quartos. – Boa noite, filha. – Meu pai disse, quando eu entrava em meu quarto.
- Boa noite pai. – Sorri e entrei no quarto.
Continua...

Se der, amanhã eu postou outro!

Mariana Luiza ok! ;)
Enni que linda sjakdfhds obrigada anjo <3
Shelda Camila ♕ eu também imagino as cenas, isso é tão incrível!

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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

"Falling" - Cap. 21




- BIP BIP BIP BIP. – Estava um pouco zonza e abri os olhos com dificuldade, vi meu pai deitado em uma poltrona e o Mitchell todo encolhido em uma cadeira. Ia levantar meu braço e sentar, mas os vários fios presos em mim me impediram, então fiquei imóvel. O barulho da máquina ao meu lado estava fazendo minha cabeça estalar e o instrumento que me ajudava a respirar estava me sufocando com tanto ar.
- Liz! – Mitchell pulou da cadeira se aproximou. – Graças a Deus. – Ele suspirou aliviado.
- O que aconteceu? – Era difícil falar.
- Nós te encontramos desmaiada no quarto. – Ele disse e soltou um pouco os fios que me apertavam.
- O doutor disse que eu estava bem, ele disse que logo eu estaria curada. – Disse confusa.
- Eles disseram que você pode ter fica frágil demais e o câncer atacou com toda força, mas vamos esperar para que eles digam o que aconteceu. – Mitchell falava baixo.
- Eu liguei para ele ontem. – Disse lembrando.
- Liz, você ficou desacordada por dois dias. – Ele disse preocupado com minha reação.
- Uou. – Fiquei encarando a parede sem saber o que dizer.
- CADÊ ELA? ONDE ESTÁ A MINHA FILHA? – Minha mãe entrou no quarto e correu para me abraçar, fiquei um pouco sufocada, mas me senti bem quando ela me abraçou. – Oh, querida...
- Mãe. – Sorri e ela começou a chorar. – O que está fazendo aqui?
- Eu vou ficar com você, queria, vou ficar ao seu lado. – Enxuguei suas lágrimas. – Seus amigos queriam ter vindo, mas eles puderam. A Eve ficou chorando um tempão quando soube o que aconteceu.
- Eu espero voltar para casa logo. – Disse cabisbaixa.
- Todos estão te esperando. – Mamãe sorriu. Vi meu pai acordar e sorrir ao me ver viva.
- É bom ver vocês dois aqui – Sorri quando meu pai se aproximou.
[...]
O Doutor me explicou o motivo do desmaio e foi exatamente o que Mitchell disse. Quando eu estava chorando depois da ligação do Justin, meu corpo ficou fraco e o câncer atacou com toda a força, então comecei a sentir aquela dor insuportável e por isso desmaiei.
- Então o meu quadro piorou?
- Um pouco, mas aumentaremos as sessões do tratamento. – Ele não olhava para mim, apenas anotava. – Você vai precisar ficar calma, não pode deixar que o câncer seja mais forte que você. – Agora ele olhou para mim, abaixei a cabeça e assenti. – Vai ficar tudo bem, não se preocupe.
- Obrigada. – Disse cabisbaixa.
- Você pode voltar para casa, mas se sentir qualquer dor, volte imediatamente. – Ele parecia preocupado. – Nos vemos amanhã para o tratamento.
- Ahn, ok. Obrigada doutor. – Apertei sua mão e sai da sala.
- Vamos querida. – Minha mãe me abraçou e nós entramos no elevador. 
Minha mãe se recusou a ficar na casa do meu pai e alugou um quarto, em um hotel. Eu voltei para casa e fui direto para o meu quarto, sentei em minha cama e fiquei pensando e refletindo sobre tudo o que tem acontecido e sobre o que irá acontecer. Mitchell começou a bater na porta do quarto, desesperadamente.
- VAMOS LOGO LIZ, ABRA A PORTA. – Ele ria, levantei e abri a maldita porta.
- O que é? – Perguntei sem paciência.
- Vou te mostrar a cidade. – Ele puxou meu braço, Mitchell pegou o carro do meu pai e me levou para conhecer a cidade, ele dirigiu pelos centros cheios de prédios comerciais, com dezenas de andares e janelas espelhadas que refletem as nuvens. – Cidade de Londres. – Ele riu. – É um dos principais centros financeiros do país.
- É lindo. – Disse encantada, Mitchell parou o carro e nós descemos. Olhei em volta e vi várias lojas, parei e fiquei encarando um salão de beleza. – Eu vou raspar o cabelo. – Disse segura, Mitch ficou me olhando. – Você vem comigo?
- Claro que sim, Liz. – Ele sorriu amigável e atravessou a rua comigo. – Mas tem certeza? Não prefere estar com sua mãe quando...
- Eu não posso mais adiar, eu não posso acordar e ver o travesseiro cheio de fios de cabelo mais. – Eu ainda olhava para o letreiro do salão. – Vai acontecer de qualquer jeito. – Entrei e o sino que tinha na porta tocou.
- Hey... – Alguém parou o Mitchell, olhei para trás e a porta se fechou antes que eu conseguisse ver quem era.
- Posso ajudar? – Uma mulher sorridente perguntou.
- Eu preciso raspar o cabelo. – Disse e fechei os olhos, comecei a desenrolar o lenço da minha cabeça, todos que estavam no salão olharam para mim.
- Venha aqui, querida. – A mulher segurou minha mão e me conduziu até a cadeira. – Você é muito linda. – Ela disse olhando para mim através do espelho, sorri fraco e agradeci. – Bom, vai ser muito mais rápido se você fechar os olhos.
- Sim. – Abaixei a cabeça e fechei os olhos. Senti a maquina tocar minha cabeça e o cabelo cair sobre meus ombros, uma lágrima escorreu pelo meu rosto.
- Pronto querida. – Ela disse dois minutos depois e eu abri os olhos lentamente, olhei o espelho e vi as lágrimas molhando todo meu rosto.
- Liz. – Mitchell estava na porta, levantei e o abracei. Nós fomos embora depois da moça que raspou o meu cabelo me contar a história da mãe dela, que morreu com osteossarcoma, nós choramos mais um pouco, mas depois nos despedimos e ela me desejou sorte. Entrei no carro e encostei a cabeça na janela, eu observava tudo que passava pelo carro, as pessoas sorrindo, os prédios sendo construídos, os pombos buscando comida. Mitchell parou o carro no farol vermelho, continuei olhando para fora da janela. Levantei a cabeça e forcei a visão, eu vi... Não podia ser. Forcei mais um pouco a visão tentando ter certeza do que eu estava vendo.
- Mitch estacione o carro, por favor. – Disse sentindo meu coração pular em meu peito.
- O que foi Liz? – Ele disse confuso e fez o que eu pedi, desci do carro e fiquei encarando o que estava fazendo meu coração acelerar. – Liz? – Mitchell estava atrás de mim, tentando entender.
- A-a-aquele garoto. – Apontei e meus olhos se encheram de lágrimas.
- Ele me pediu ajuda lá na porta do salão. – Mitchell disse surpreso e deu alguns passos para se aproximar dele, o segui e meio que me escondi atrás dele. – Eu estou indo para a rua que você me perguntou agora, acho que é mais fácil aceitar a carona do que continuar a pé. – Sai de trás do Mitchell e Justin me olhou surpreso até os olhos dele se encherem de lágrimas, eu fiquei insegura em abraça-lo, talvez ele esteja assustado em meu ver careca. – Cara, você está bem? – Mitch não havia percebido ainda.
- Elizabeth. – Justin ainda estava sem reação e chorava muito, e eu continuava olhando seus olhos. – Oh, Elizabeth. – Ele soltou sua mochila e me abraçou forte, afundei a cabeça em seu peito e seus braços me seguraram como se não fossem soltar nunca mais.
- Eu senti tanto a falta de abraço. – Disse entre soluços e Justin me abraçou mais forte.
- Quando Eve me disse o que aconteceu, eu pensei que iria te perder. Elizabeth, eu não posso te perder. – Justin se afastou um pouco e olhou em meus olhos, levantou meu queixo e me beijou, foi como se não nos víssemos há anos, tinha dor, saudade, paixão nesse beijo.
- Obrigada por ter vindo. – Abracei outra vez, eu não quero sentir falta desse abraço nunca mais.
 Continua...

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sábado, 4 de janeiro de 2014

"Falling" - Cap. 20




Acordei e me arrumei lentamente, meu rosto estava inchado de tanto chorar. Peguei minha bolsa e alguns exames velhos e sai do quarto, Mitchell estava saindo do quarto dele também, e sorriu ao me ver.
- Podemos conversar? – Perguntei e caminhei até seu quarto, ele assentiu e deu espaço para eu entrar. Fiquei pensando no que iria dizer, andava de um lado para o outro e Mitchell me acompanhava com os olhos.
- Vai abrir um buraco no chão desse jeito. – Ele disse e eu parei.
- Você já se sentiu como se tivesse estragado algo que podia te fazer muito feliz? – Perguntei e ele franziu a testa.
- Do que está falando Elizabeth?
- Diz que o que aconteceu ontem não teve importância, por favor?
- Que? – Ele riu.
- É sério Mitchell, por favor.
- Mas Liz...
- Não podia ter acontecido.
- Foi só um momento, não é proibido beijar alguém que não tem compromisso.
- Só um momento, certo?
- Liz, eu não estou entendendo. – Ele parecia mesmo confuso.
- É que eu estava preocupada... Sei lá, de você...
- Ficar gamado em você? – Ele riu. – Não, fica tranquila. – Suspirei aliviada. – Posso saber o motivo dessa preocupação toda?
- Eu notei que eu tinha encontrado a felicidade e a ignorei por orgulho. – Sentei ao lado dele.
- Ligue para ele, Liz. – O olhei e Mitchell me abraçou. – E não tenha vergonha de ser você mesma. – Ele começou a desenrolar o lenço da minha cabeça, deixando à mostra as falhas e o pouco de cabelo que ainda restava, senti as lágrimas tomarem conta do meu rosto e abracei-o mais forte.
Peguei o meu celular e disquei o número do Justin – eu decorei o número por causa das milhões de vezes que discava e desistia de ligar. Tocou várias vezes e nada, então eu desliguei a chamada e fiquei olhando a tela do celular, até ela acender com o nome do Justin, meu coração acelerou e eu atendi rapidamente.
“Justin” – Disse quase desesperada.
“Desculpe-me não ter atendido antes, eu estava dormindo e quando ia atender, você deslig...”
“Tudo bem, esqueci do fuso” – O interrompi. – “E-e-eu liguei para... P-p-p-para... Eu não sei...”. – Justin não falou nada, fiquei imaginando como ele estaria agora. Com raiva? – “Desculpe-me por te acordar”
“Tudo bem.” – Foi a única coisa que ele disse.
“Justin... E-e-e-eu sinto sua falta” – Foi difícil engolir o choro, essa frieza dele estava me matando. Ele continuou mudo. – “Eu acho que não devia ter ligado.”
“Elizabeth, você tem noção de como foi difícil ver você indo embora, ver seus olhos me encarando enquanto aquele carro te levava para longe de mim? Você tem noção do quão difícil foi ouvir ‘Ela está indo embora’ e não ter podido te abraçar e me despedir?” – Ele estava chorando. – “Você não faz ideia de como foi doloroso saber que você tem câncer e que escondeu isso de mim” – Agora fui eu que não disse nada. – “Elizabeth eu sei que te magoei, mas eu fiquei esperando você descer daquele carro e correr para me abraçar, aquele momento podia ter sido nosso, podia ter sido a desculpa por tudo, pelo que eu fiz, pelo que você escondeu”.
“Justin eu tive medo... Eu não teria coragem de te contar... Eu não poderia te fazer esperar por mim”
“O que você acha que eu estou fazendo agora, Elizabeth?” – Não respondi. – “Eu só quero te abraçar forte e cuidar de você” – Isso acabou com as estruturas e então eu comecei a chorar desesperadamente.
“Justin, eu sei que isso vai te machucar e eu vou me odiar por isso, mas eu não posso...”
“Elizabeth, não...” – Ele quase implorou.
“Eu não conseguiria acordar e lembrar que você está preso a mim, esperando o dia que eu voltarei e se eu voltarei... Eu juro que isso machucaria mais a mim do que a você. Eu não posso fazer isso com você Justin...”
“Isso não faz sentido”
“E-eu sei que vai parecer o fim do mundo, mas logo passará e você voltará a se divertir, voltará a ganhar os jogos e ser o melhor capitão que o time pode querer, você se divertirá ficando com todas as garotas sem nem perguntar o nome delas. Justin, esse é você e eu acabei o mudando, mas não posso seguir com isso”
“Elizabeth me escute...”
“Fique bem, meu amor”. – Disse e desliguei. Eu sei que pode parecer loucura, mas a forma como ele falou tudo, a voz de choro e sofrimento me fizeram tomar essa decisão. Justin nunca namorou ninguém, ele sempre teve todas as garotas que quis e se isso o que ele sente por mim for apenas paixão ou até mesmo atração? Eu não posso seguir com isso, eu não posso.
O celular escorregou de minhas mãos e caiu no chão, fiquei fitando um ponto fixo na parede, enquanto minha visão se embaçava por causa das lágrimas. Eu senti várias pontadas em meu peito e meu tórax começou a doer muito. Levantei a cabeça tentando buscar ar, mas eu não conseguia respirar e comecei a entrar em desespero. Eu tentei gritar, mas era como se eu estivesse sem voz, como se eu estivesse morrendo e não pudesse nem pedir ajuda. Os soluços do meu choro começaram a me sufocar e eu cai no chão. De repente tudo ficou escuro e eu não sentia mais meu coração batendo.
Continua...

Mariana Luiza simmmmm eu vou na pista branca jdskhfcs eu quase nem entro no face, mas eu tenho fc @betterzziam! :)

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